08.01.2020 - 03:18

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Produtor explica porque cidade de Cabaceiras foi escolhida para rodar o filme O Auto da Compadecida

Quando fui contratado como produtor de locação, em maio de 1998, tive a oportunidade de fazer uma viagem com a equipe de direção e produção do projeto, onde fui apresentado as diversas locações espalhadas em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte que o roteiro indicava.



Ao ser definida a cidade de Cabaceiras como a locação para a mini série e filme O AUTO DA COMPADECIDA, pela diretora de Arte Lia Renha, o diretor e roteirista, Guel Arraes, já sabia que não poderia filmar em Taperoá, cenário onde permitiria fazer uma homenagem direta ao amigo e escritor Ariano Suassuna.

Quando fui contratado como produtor de locação, em maio de 1998, tive a oportunidade de fazer uma viagem com a equipe de direção e produção do projeto, onde fui apresentado as diversas locações espalhadas em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte que o roteiro indicava.

Visitamos de Nova Olinda, no Ceará a Serra Talhada, em Pernambuco, de Taperoá ao Seridó, do Rio Grande do Norte, passando pelo Brejo da Paraíba, uma caravana que ditava o alto nível que estava sendo investido no projeto. O AUTO DA COMPADECIDA foi o primeiro seriado da TV Brasileira, e na TV Globo, realizado em película 35mm.

Ao propor Cabaceiras, como cidade locação, já tinha vivenciado o que era fazer um filme na região, pois havia produzido algumas cenas do curta metragem EU SOU O SERVO, sobre o Padre Ibiapina, já tinha gravado vídeos no Lajedo da Salambaia, no sitio Manuel de Sousa, nos curtumes de Ribeira de Cabaceiras, e ter indicado o Lajedo do Pai Mateus para o diretor Júlio Bressane, que foi o primeiro a filmar um longa-metragem, São Gerônimo, na região, em janeiro de 1998.

Cabaceiras era a cidadezinha!! Linda.... Praticamente pronta, um casario bem preservado da década de 20-30, ruas ainda por calçar, uma igreja imponente, vários cenários em plano geral para a fotografia se esbaldar, uma caatinga ainda virgem e bela ao redor, locações mágicas. “Para onde colocasse a câmera, era cenário”, palavras de Guel Arraes .

Mas nem tudo é perfeito?! Como agrupar uma equipe de produção com mais de 150 técnicos e atores, com N estruturas de logística e serviços para acontecer no prazo de 45 dias, entre pré-produção e filmagens. A cidade não dispunha de nenhuma infra para hospedar a mínima equipe de filmagem, mas havia uma saída inovadora.

Ao indicar Cabaceiras, e suas locações, pontuando as dificuldades estruturais, apresentei um plano de produção que poderia dar certo, desde que saíssemos das obviedades de produção e investíssemos em uma alternativa inovadora. Locar e preparar casas na cidade e fazendas nos arredores.

Com o aval de Arnaldo Junior, prefeito na época, e do Dr. Crisóstomo Lucena, empreendedor visionário, dono da Fazenda Lajedo do Pai Mateus, tínhamos uma proposta concreta a apresentar!

Na visita de Guel Arraes e sua equipe para fechar e iniciar as mudanças no cenário, começa a trajetória para a reconstrução da cidade, e a semente para brotar a ROLIUDE NORDESTINA.

A conjuntura do momento reuniu forças determinantes para concretizar, apoio fechado da prefeitura, receptividade do povo da cidade, e o apoio do Governo do Estado, além da poderosa estrutura da Rede Globo de fazer bem, com investimento, o negócio do entretenimento audiovisual. “SE FOSSE SERIA ASSIM... RODA!!”

Em Boqueirão, cidade vizinha, ficou parte da equipe de pré-produção, 40 técnicos em hotéis, oito 8 casas foram reformadas, em Cabaceiras, da estrutura elétrica a hidráulica, com carros pipas dando suporte de abastecimento d’água, diário.

Mais 03 fazendas foram alugadas para a produção, diversos imóveis foram locados para guardar a cenografia e adereços, a Igreja foi pintada, postes e fiação retirados da rua, cenários montados, adereços foram contratados de vários artesões de couro, animais e transportes foram alugados na região, a população se mobilizou para fazer parte da figuração e ajudar no projeto.

Durante 15 dias a cidade viveu uma fantasia do universo mágico de Ariano: Chicó, Selton Melo, tinha sua casa, Mateus Narchtergaele, João Grilo outra, Guel Arraes, Lia Renha, Felix Monte, diretor de Fotografia, Zezé D’Alice, do Som ficaram na Fazenda Charneca. Para os atores em trânsito, Dr. Crisóstomo Lucena construiu 04 apartamentos, que deram início ao Hotel Fazenda Pai Mateus, empreendimento, até hoje bem-sucedido.

Na cidade, mais de 500 pessoas estiveram diretamente ligadas ao O AUTO DA COMPADECIDA, casas com empregados para a coordenação de produção, produção de arte, figurino, maquiagem e caracterização, e outras casas para diversos departamentos, uma efervescência que fez surgir pousadas e novos negócios.

Depois de vinte anos do lançamento do filme e série O AUTO DA COMPADECIDA, podemos dizer que o cinema muda realidades, transforma pessoas e lugares. Como profissional, cresci e aprendi que a cultura é um dos maiores vetores de desenvolvimento local, uma indústria limpa, que move uma economia criativa, e tem na sua matriz o resgate das tradições locais e a valorização da paisagem cênica.

Cabaceiras, a ROLIUDE NORDESTINA, abriu uma janela no horizonte para exibir a magia das cenas gravadas em mais de 100 filmes e produções audiovisuais realizadas no Cariri da Paraíba.
SÓ SEI QUE FOI ASSIM!!! 

DURVAL LEAL FILHO
PRODUTOR DE LOCAÇÃO DO AUTO DA COMPADECIDA
 


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